7 de maio de 2014

1º registro com o famoso coletinho amarelo do Rondon

06/05 - REUNIÃO GERAL - PTO EM PAUTA: PLANILHA DE CUSTOS

Sala de reuniões do DEQ/UFSCar, 13:00. Discussão da planilha com os custos previstos para compra de material a ser utilizado nas oficinas. Iniciativa da Gabriela, fazer isso o quanto antes. Apoiada. Como sempre, após a reunião, ficou lição de casa para todos, sem exceção.


Mas o ponto alto da reunião foi esse registro, nosso primeiro com o famoso coletinho amarelo do Rondon. Rodrigo tinha prova, precisava sair antes do término da reunião. "Péra ae!", em coro, "não sai ainda não, vamos tirar uma foto antes". Taí!! Bela foto, apesar da correria do semestre, todos sorridentes e afim de trabalhar pelo Rondon. FEDERAL SE RENDE AO AMARELO!


6 de maio de 2014

Diário da Precursora (parte III)


Parte III

Por Fábio Bentes Freire


09/04 – FEIRA EM LAGOA DO OURO

Dia de feira em Lagoa do Ouro, feira grande, ocupando praticamente todo o centro da cidade com barracas vendendo desde carnes, castanhas de caju, frutas, até roupas e eletrônicos.



A visita à feira levou boa parte de nossa manhã e foi fundamental para que eu definisse o cronograma de todas as oficinas que dependem de resíduos para acontecer. Vamos fazer uma coleta, em julho, no primeiro dia de feira durante nossa permanência em Lagoa do Ouro. Antes disso, teremos um bate-papo com o público sobre resíduos e reciclagem. Como eu disse antes, tudo se encaixando o melhor possível dentro da realidade que iremos encontrar e do público que queremos atingir.Nesse dia, troquei vários torpedos com a Paulinha, buscando envolver nossa equipe na definição das oficinas. 

Mas o grande acontecimento do dia foi a chuva, que caiu forte na hora do almoço. A tão esperada e comentada chuva veio e era aclamada por pessoas na rua, ouvi, do meu quarto, várias pessoas agradecendo a Deus pela chuva que caía abundante, mas ainda insuficiente para contornar os estragos da longa seca. Dava para ver pessoas andando na rua, como se a chuva não molhasse. Passada a chuva, pouco depois das 14:30, fomos visitar Campo Alegre, cerca de 20 minutos de Lagoa do Ouro, e a escola da comunidade. Gostamos de tudo, da escola, das pessoas e, principalmente, do envolvimento de todos com o projeto. Ganhei, de uma Senhora, um saco de biscoitos salgados típicos de lá, junto com um belo sorriso e um “vá com Deus meu filho”. Por onde passamos fomos muito bem recebidos. A noite, já de volta à pousada, Edneia e eu batemos o martelo e fechamos nossos cronogramas, com todas as atividades, horários, tempos de duração, público,... Exausto, jantei, li um pouco e dormi antes das 9:00.


10/04 – ÚLTIMO DIA DA PRECURSORA EM LAGOA DO OURO

Choveu a noite toda. Depois do café da manhã, fomos até a prefeitura entregar nossos cronogramas para divulgação das atividades. Ouvimos de Várias pessoas, brincando com a gente, “vocês do Rondon trouxeram a chuva, Deus abençoe vocês!”. No prédio da prefeitura o estrago tinha sido grande, havia muitas goteiras em cima de mesas, micros, documentos, mas as funcionárias já estavam regulamentando tudo e controlando a situação. No centro da cidade, a caminho da prefeitura, havíamos visto lojas com mercadorias molhadas e casas de particulares com portas abertas e gente varrendo sujeira para fora. Definitivamente, os telhados não estavam preparados para a chuva que caiu. Deixamos os cronogramas com a Suely, missão cumprida. Todos os objetivos da precursora haviam sido alcançados. Tudo acertado para nossa participação em julho. No começo da tarde, Edneia e eu fizemos uma romaria pela prefeitura e outros lugares que passamos para nos despedir das pessoas. Acertamos ainda detalhes de uma ou outra oficina. Feito isso, Edneia voltou para a pousada e eu decidi sair sozinho para uma caminhada, queria tirar fotos de alguns lugares por onde havíamos passado somente de carro. Ter ido sozinho acabou sendo uma ótima. Segui um caminho que passava em frente à Escola Jandira Pedroso, em direção ao final da cidade, de onde era possível avistar um monte rochoso muito bonito. Atravessei uma cerca de arame farpado (ah se eu tivesse uma bola de cristal naquele momento!) e caminhei uns 800 m até uma árvore meio isolada no meio da paisagem. Dizem que o mais importante de uma fotografia é o “olhar” de quem está por trás da câmera, depois vem a técnica. Pois tive um insight, quando vi a árvore, de que subindo nela eu faria uma foto interessante. Sem jeito nenhum, subindo de galho em galho, cada vez mais alto, fui buscando o ângulo que eu queria, totalmente despreocupado com a “escalada” em si. A mais ou menos uns 3 m de altura (ainda pretendia subir mais alto), resolvi fazer uma selfie para que me vissem, mais tarde, em cima da árvore. Bom, vamos lá. Tirei o smartphone do bolso, preparei a câmera dele, apontei para mim e sorri. Tudo aconteceu tão rápido que não sei nem o que escrevo aqui, o fato é que o galho que eu segurava para me apoiar quebrou (acho que me inclinei demais para o lado dele) e eu despenquei de lá de cima, meio de frente, meio de lado, e dei com a cara no chão. Ninguém viu. Foi um baita susto, de um segundo para o outro, me vi no chão, sem óculos (ainda bem, ele teria cortado meu supercílio e, no passado, já levei 7 pontos nessa região) nem smartphone. Levantei sem dores, mas achando que havia quebrado um dente. Alarme falso, ainda bem, era só terra na minha boca. Achei meus óculos e o smartphone, sem a parte de trás e sem a bateria. Precisei procurar por pouco tempo para achar a capinha de trás, mas levei uns 20 minutos para encontrar a bateria. Nessa busca, lembro-me de ter olhado para a árvore com um certo rancor, como se ela tivesse sido a culpada pela minha queda. Recomposto, meio dolorido e fulo da vida, sem mais vontade de tirar foto alguma, voltei caminhando para a pousada da Jaque. No caminho, dois rapazes que lavavam um carro olharam para mim e disseram “tem sangue no seu nariz”. Limpei o nariz com a mangueira de água que eles usavam, mais para apagar as evidências do tombo do que outra coisa. Em julho eu volto lá e tiro a foto. 

11/04 – RETORNO À RECIFE

Despedidas em Lagoa do Ouro, começando pela pousada onde fomos acolhidos como família. Tomamos um café da manhã especial, às 06:30, preparado para nosso “até breve”. Comi um monte. Às 08:00 já estávamos na prefeitura recebendo calorosas saudações dos funcionários. Todos haviam feito um ótimo trabalho, com muito calor humano, fechamos com chave de ouro nossa viagem precursora a Lagoa do Ouro. Saldo mais do que positivo da precursora, com uma cidade completamente receptiva e favorável ao Rondon, dois coordenadores que se deram muito bem e querem muito fazer pela operação. Deixamos a cidade às 08:20, de novo conduzidos pelo Sr Luciano, fazendo o percurso de volta à Recife e pegando os outros colegas coordenadores pelo caminho.Na van, confraternizamos e trocamos nossas experiências, felizmente, todas boas. Chegamos à Escola de Aprendizes pouco depois das 15:00, almoçamos imediatamente (a van já nos deixou direto no restaurante) e depois, cada um seguiu um rumo, em grupos ou não. Eu fui sozinho para o alojamento, dormi até umas 16:40 e em seguida dei uma corridinha em volta de um campo de futebol. Barbudo e com uma camiseta da São Silvestre de 2011, chamei um pouco a atenção dos alunos que por ali se exercitavam. À noite, fizemos uma rápida reunião com os comandantes da operação que queriam ouvir nossas impressões. Uns reclamaram, outros elogiaram as prefeituras, mas foi unânime o sentimento de dever cumprido. Mais tarde, no jantar, combinamos uma saída para curtir a noite em Olinda. A sugestão de quem conhecia bem a cidade foi a Fábrica Bar, na Praça Fortim. Fomos em 5 táxis e nos divertimos muito. Saí de lá em um táxi, com um colega da UFES, às 03:00, como há tempos não fazia.

12/04 – RETORNO DA PRECURSORA

Boa parte dos coordenadores deixou a Escola de Aprendizes às 04:30, em um ônibus da marinha. Um caminhão baú, que ia logo atrás do ônibus, levou nossas bagagens até o Aeroporto Guararapes. Despedi-me rapidamente de todos na chegada ao aeroporto e fui direto para a área de embarque de onde sairia meu vôo, às 07:55. Voltei sentado na janela, ao lado da Nadia (USP de Ribeirão) e do Moacyr (USP de São Carlos), conversando da decolagem em Recife ao pouso em São Paulo, com escala em Salvador. Fomos cumprimentados pelas aeromoças que perguntaram bastante sobre o projeto Rondon. Em São Paulo, na saída do aeroporto, um motorista com plaqueta de identificação escrita “UFSCar” me aguardava. Dessa vez, o pouco que conversei com o motorista foi durante o trajeto do desembarque até o carro, um Etios sedan prata. Alojei-me no banco da frente, apertei os cintos e apaguei, só acordando, com uma mãozinha do motorista, no trevo de São Carlos.  


Diário da Precursora (parte II)

Parte II

Por Fábio Bentes Freire


06/04 – SAÍDA DE SÃO CARLOS

À 00:30 do dia 06/04/2014, um Toyota Corolla prata, à serviço da universidade, foi me buscar em meu prédio para me levar até o Aeroporto Internacional de Cumbica onde eu, às 06:30, embarcaria num voo da Avianca para Recife. No carro, de imediato iniciei um bate-papo com o Sr. Paulo, o motorista, esquecendo que se tratava de um profissional e que não precisava de ninguém para mantê-lo acordado. Minha vontade era dormir. O fato é que a conversa não chegou nem ao pedágio do Castello, acho que caí no sono depois do primeiro zigue-zague na estrada e só acordei com a iluminação do aeroporto na minha cara, às 03:00. No aeroporto, logo após passar pelo embarque, abri o caderno de notas e escrevi “3:32 - estou um bagaço”.
A espera foi longa, só embarquei às 06:05, e entre um cochilo e outro, eu rascunhava as linhas que agora compõem esse texto. Enfim, o voo partiu de São Paulo sem atrasos e, após a escala em Salvador, cheguei à Recife às 10:35. Sonado que só, não notei que bem ao meu lado no avião viajou um senhor com a camiseta do Rondon. Mais tarde vim saber que esse senhor é uma lenda no Rondon, com participações em diversas edições desde a década de 70. Seu nome, Carlos Roberto , professor da UNESP de Araraquara.

Fui o 1º passageiro do voo (que na realidade era para Petrolina, com escalas em Salvador e Recife) a sair no desembarque (raramente despacho bagagens, meu histórico com bagagens extraviadas é péssimo) e de cara avistei militares da marinha em impecáveis uniformes brancos e um senhor entre eles, vestindo uma camisa do Rondon. Era o Cmte Anderson, responsável pela Operação Guararapes e com quem havia trocado e-mails. Me aproximei do grupo, me apresentei e recebi um forte aperto de mão de um militar bem alto e com voz forte de barítono. Em altos decibéis o Cmte Guimarães me congratulou “você começou bem, só trouxe o essencial”. Na verdade, mais tarde me dei conta de que viajei com um item a menos do que o essencial para pernoitar na Marinha: meia usada virou a toalha que eu havia esquecido de pôr na mala no meu primeiro banho por lá.

Sorridente por fora, mas me sentindo sonado e faminto, acompanhei o grupo de militares e mais 15 coordenadores de equipes, que vieram no meu vôo, até um ônibus da Marinha que nos esperava na área externa do desembarque do Aeroporto Guararapes. Logo fui conhecendo ou reconhecendo os “marinheiros de primeira viagem” como eu, uns cinco dentro do ônibus. Isso me relaxou, eu não era o único.

Prédio principal da Escoa de Aprendizes da Marinha
Mas o que mais me chamou a atenção no caminho do aeroporto até a Escola de Aprendizes da Marinha, em Olinda, foi ter escutado uma ou duas vezes alguém dizer “TUSCA”, dentro do ônibus. Havia outro “sãocarlense” no ônibus, o Moacyr, professor do ICMC da USP de São Carlos. Pouco antes das 12:30 o ônibus passou pela entrada da Escola de Aprendizes da Marinha, em direção ao alojamento dos aprendizes. Na escola, ficou claro que o Rondon havia começado para mim e um bom começo seria interagir com os demais coordenadores, mas a fome era tanta que nem voz eu tinha. Sou um glutão, apesar de não ser gordo. Saí do ônibus atropelando os passos, entrei com minha mochila (minha única bagagem) no alojamento e, num amplo cômodo branco com ares de Nosso Lar, encontrei um mar de treliches e ventiladores.

Um dos cantos do alojamento com os treliches
Como alguns coordenadores haviam chegado à véspera, a única opção restante era me alojar na “cobertura” dos treliches que, por sinal, não tinham nem aquela escadinha estreita que eu tanto xinguei nas vezes que me hospedei no Ibis Budget. Acho que fiquei olhando com cara de desolação para o topo do treliche por alguns minutos até que alguém (não lembro quem) chegou perto de mim e disse: “tire o colchão do topo e coloque no chão, é mais seguro para quem não está acostumado a dormir em beliches”. Ótima ideia, larguei o colchão no chão, botei a mochila em cima dele e me juntei a outros que se dirigiam ao restaurante dos oficiais.

No restaurante, quando comecei a derrubar o 3º prato, já me sentia civilizado de novo e passei a conversar, mais empolgado, com os colegas coordenadores e militares da operação que se encontravam à mesa. Nesse ambiente de confraternização, havia muita solidariedade entre os coordenadores, os mais experientes passando orientações para os menos experientes que, como eu, prestavam atenção. É verdade que, nesse ponto, minhas conversas ainda estavam meio protocolares, tenho hábitos diurnos e a noite mal dormida havia me drenado a disposição, mas, apesar do cansaço, eu estava bem à vontade com aquelas pessoas. Terminada a última garfada, fui para o alojamento e me esparramei no colchão. Dormi antes mesmo de pensar em qualquer outra coisa.

Navio escola – Escola de Aprendizes da Marinha
(Olinda/PE)
Palestra com o Cmte Anderson, coordenador da Operação Guararapes às 16:30. Minhas anotações dessa palestra vão desde orientações diretas para a viagem precursora às cidades, até lembretes de coisas que eu teria que levar na operação propriamente dita,em julho, como, por exemplo, “saco de dormir” e “canivete suíço”. Achei graça quando o Cmte nos disse que precisávamos ter um grito de guerra para a cerimônia de abertura das operações em julho. Em um determinado momento, o Cmte pediu para que nos identificássemos em voz alta quando ele dissesse o nome da cidade onde iríamos atuar. Quando ouvi “Lagoa do Ouro”, falei “Fábio, Universidade Federal de São Carlos” e em seguida ouvi o comentário “A UFSCar está sempre no Rondon”. Muito do que foi falado eu já sabia, pois na semana anterior à viagem, havia conversado com o Prof. Sérgio do Departamento de Ciência da Informação da UFSCar, quatro vezes no Rondon. Em um encontro com nossa equipe (Gabriela, professora do DEQ, e os alunos Letícia, Paula, Rodrigo e Vinícius da EQ, Michaela do DEMa, Marcela da Gestão Ambiental e Lucas e João da EP), o Sérgio assistiu a uma apresentação dos alunos e me deu várias orientações sobre o que era importante e como proceder na precursora. Ao término da palestra do Cmte Anderson, conheci o “anjo” (militar) que irá nos acompanhar em julho, o Munis, peguei meu colete amarelinho do Rondon (tamanho GG!) e conversei, por alto, com a Edneia, professora da Univali (Itajaí, SC) que também irá para Lagoa do Ouro com sua equipe (uma professora e oito alunas), dentro do conjunto A de ações. 

Antes do jantar, dei uma volta pela Escola de Aprendizes juntamente com outros coordenadores e tirei algumas fotos, como a do navio escola. Jantar servido às 19:30, comi só dois pratos, voltei para o alojamento e lá pelas 09:00, dormi. 


07/04 – VIAGEM PARA LAGOA DO OURO

Coordenadores, Cmtes e o dedo da Edneia na partida para as cidades
Logo após o café da manhã no restaurante dos oficiais, juntamos nossas bagagens em frente ao alojamento (masculino – térreo e feminino – 1º andar) e começamos a entrar nas vans, sete no total, que partiam para as cidades. Como Lagoa do Ouro era uma das cidades mais distantes da sede (Recife), parti na 1ª van que deixou a escola, às 07:00 em ponto. Conduzidos pelas mãos seguras do Sr Luciano, éramos, no total, 8 coordenadores nessa van, com destino a quatro cidades do Agreste: Canhotinho, Palmeirina, Correntes e Lagoa do Ouro, última parada. Sentei-me no banco da frente da van, entre o Sr Luciano e Syndinara, professora de Inconfidentes (MG).

Levamos mais de uma hora e vinte só para sair da grande Recife, em pleno horário de pico. Eu já conhecia Recife de viagens anteriores, mas não havia passeado por aquelas bandas. Passamos bem próximos à Arena, que irá sediar jogos da copa. Após sair da região metropolitana, seguimos por uma pista dupla, passando por cidades como Pombos, Bezerros e Caruaru, numa paisagem cada vez mais com cara de agreste. Gosto muito de viajar e a paisagem que eu via no trajeto até Lagoa do Ouro era, para mim, uma novidade. Só conhecia parte do litoral do nordeste.  

Caminho de ida para Lagoa do Ouro
A viagem foi muito agradável, o clima entre nós era muito bom, seguimos o tempo todo em segurança, sem sustos. Fizemos uma parada para ir ao banheiro e a segunda já foi na cidade de Canhotinho, onde dois coordenadores desceram. Sem GPS, mas com a boa vontade e simpatia do povo que nos explicava o caminho, fomos encontrando as direções até as cidades e prefeituras,onde íamos descendo. Em Palmeirina ficaram mais dois, depois mais dois em Correntes e, finalmente, em Lagoa do Ouro, após14 km de estrada de terra, chegamos eu e Edneia, na porta da prefeitura. Era 13:00.
Recebidos na prefeitura pela Gilma, fomos levados ao encontro de Suely, nosso contato em Lagoa do Ouro. Após uma rápida conversa, ficou decidido que só teríamos nossa primeira reunião com funcionários da prefeitura no dia seguinte. Queríamos ter as conversas iniciais logo de imediato, mas a decisão de deixa-las para o dia seguinte mostrou-se adiante mais do que acertada. Com nossas bagagens, caminhamos pelo centro de Lagoa do Ouro até a pousada da Jaqueline, onde nos hospedamos nos cinco dias que passamos por lá. No caminho, de cara tomei a decisão de tirar uma das oficinas propostas por nossa equipe: o centro da cidade era bem bonito e cuidado, não precisava de revitalização. 

Paróquia de Lagoa do Ouro
Deixamos nossas coisas na pousada e saímos para uma caminhada pela cidade usando o famoso coletinho amarelo do Rondon. Era como um magneto, atraindo a atenção das pessoas para os dois estranhos que caminhavam pelas ruas conversando e tirando fotos.Passamos pelo hospital da cidade, entramos e tiramos algumas dúvidas sobre oficinas da Edneia. À noite, jantamos na pousada e conhecemos melhor a Jaqueline que, nos dias seguintes, preparou as refeições sempre nos consultando sobre o que queríamos comer. A grata surpresa da noite foi Alexya, filhinha da Jaqueline, uma linda e simpática menina de um ano e meio que nos cativou com sua esperteza e simpatia. “Espero revê-las”, anotei no caderno.


08/04 – PRIMEIRO DIA EM LAGOA DO OURO

Logo após o café da manhã, seguimos até a prefeitura para nossa reunião agendada com as secretarias de saúde, educação e cultura. Assim que entramos no prédio da prefeitura fomos avisados: “já estão comentando vocês”.

Eu e Edneia com os coletes e funcionários 
da prefeitura
Nosso passeio pelas ruas da cidade no dia anterior já era comentado e o comentário chegou à prefeitura. Lagoa do Ouro já havia sido agraciada com um Rondon na década de 70 ou 80 (não consegui descobrir) e os antigos lembravam disso com bastante entusiasmo e carinho. Quem nos contou esse fato foi o Sr José, funcionário da prefeitura há mais de quarenta anos, que aparece na foto. A reunião comandada por Suely (ao lado da Edneia na foto) foi uma das mais produtivas que já participei em meus quase dez anos de magistério. Falante e bem articulada, ela encaminhou as discussões sobre hospedagens, logística, transporte, oficinas... e em pouco mais de uma hora, havíamos feito praticamente toda a lição de casa prevista para a viagem precursora. Conhecida e respeitada, Suely me pareceu aquele tipo de pessoa que faz acontecer, sem ficar filosofando muito. Quando mostrei nosso plano de trabalho, recebi um único comentário: “está tudo bom, menos essa oficina sobre aterros sanitários, nosso lixo é transportado para fora daqui. Seria mais interessante que vocês incluíssem algo sobre uso de agrotóxicos”. E assim, com meia dúzia de palavras trocadas, estava praticamente definido nosso plano de trabalho. Nem foi necessário falar muito durante a reunião. Eu, pelo menos, fiquei mais tempo quieto e ouvindo.

Da reunião, ficou decidido que iríamos fazer as oficinas em quatro escolas. Na Escola Jandira Pedroso, em Lagoa do Ouro, e em outras três (não me lembro o nome), nos distritos de Iguapós, Mocós e Campo Alegre, todos da zona rural. Faltava conhecer pessoalmente esses lugares e em especial o Centro de Idosos, onde nos foi sugerida a hospedagem durante o Rondon. Terminada a reunião, com direito a pipoca e cafezinho, rumamos para o Centro de Idosos. Ao chegarmos lá, essa opção de hospedagem foi imediatamente aceita, o lugar era amplo, tinha cara de casa (e não de alojamento) e possuía toda a infraestrutura necessária para receber os quatro docentes, dezesseis alunos e um“anjo”.

Centro de Idosos
Como já era horário de almoço, comemos a merenda no próprio centro, preparada pela mesma merendeira que deve nos auxiliar em julho. No cardápio: salada de tomate com pepino, salada de batata com cenoura, frango frito, macarrão com sardinha, purê de batata, arroz, feijão e farofa. Enchi um prato tamanho família, comi tudo e ainda repeti. Ao me ver comendo com gosto, alguém comentou: “para onde vai isso tudo que você come?” (como já mencionei, não sou gordo). A resposta ficou na ponta da língua, mas resolvi não fazer brincadeira alguma, simplesmente disse “meu metabolismo é bom”, e segui nas garfadas. Comida aprovada. Vamos adiante.



Cozinha do Centro de Idosos
De volta à pousada, Edneia e eu fizemos uma reunião de mais ou menos duas horas onde comparamos nossos cronogramas, adaptamos ações conjuntas e, com base na experiência da Edneia (3º Rondon) e nas conversas com a prefeitura, definimos boa parte de nossas atividades. Pouco mudou depois disso. O cronograma estava diante da gente, como um mosaico onde oficinas e horários foram cuidadosamente pensados em função do público alvo pretendido para cada uma delas.



Em torno das 14:00 fomos levados em um carro da prefeitura para Iguapós e Mocós, passando por uma paisagem como eu imaginava ser o agreste. 


Imagens da visita à zona rural
Visitamos as escolas da zona rural onde faremos oficinas durante três manhãs consecutivas em julho, conhecemos muita gente e tivemos a certeza de que muitas outras iremos conhecer após a ampla divulgação do Rondon que já está sendo feita na cidade. A estimativa é que mais ou menos quinhentas pessoas por dia participem das oficinas realizadas na zona rural. A equipe UFSCar tem duas oficinas nesses dias: Uma conversa sobre o uso de agrotóxicos(Gabriela, Marcela e Paulinha) e Oficina com Agricultores - Agregando valor em produtos e utilizando sangue de matadouro e cacto palma para fazer adubo(eu, João, Michaela e Rodrigo). Os demais membros, nesses e em outros dias, estarão nos dando suporte e fazendo recreação com as crianças (presença certa e em grande número no Rondon).

Sala de informática
De volta à Lagoa do Ouro, fomos direto conhecer a Escola Jandira Pedroso onde iremos fazer boa parte das nossas oficinas. Fiquei bastante feliz com a escola, as instalações, a localização e em especial, a sala de informática (teremos duas oficinas nela, sob a coordenação da Gabriela) e o cine Igataua, sala de projeções da escola onde possivelmente ocorrerá o Cine Rondon (pode ser que em alguns dias ele seja feito ao ar livre, em ambiente aberto, talvez na praça central).  
Cine Igataua

Já quase no final da tarde, para nossa completa surpresa, encontramos o Guimarães e o Pereira (da Escola de Aprendizes da Marinha), estavam nos fazendo uma visitinha e se certificando que tudo corria bem em nossa precursora. De volta à pousada, nos reunimos mais uma vez, Edneia e eu, discutimos mais nossos cronogramas, jantamos e nos recolhemos para nossos respectivos quartos.




4 de maio de 2014

Diário da Precursora (Parte I)

Nada mais condizente com nossas etapas de preparação rumo à Lagoa do Ouro do que começar postando sobre como o Fábio teve seu primeiro contato com a cidade, em abril de 2014. Esperamos que relatos pessoais como esses possam inspirar pessoas a querer conhecer brasis belíssimos que existem por aí.

Parte I

Por Fábio Bentes Freire


Curioso como fatos do presente às vezes evocam memórias de um passado ao mesmo tempo distante e recente. O dia 18 de abril de 1991 caiu numa quinta-feira e eu tive prova, não me lembro do quê. Eu tinha 19 anos e trilhava o ciclo básico do curso de engenharia civil (mais tarde me transferi para a elétrica, onde me graduei) na tradicional Escola de Engenharia da USP de São Carlos. Na época, minhas maiores preocupações, além dos estudos, eram com a saúde do meu avô paterno, Joaquim Silva Freire, o Velho Jequitibá, bastante fragilizada por um câncer, as chances da McLaren do Senna derrotar a Willians do Mansell (no GP do Japão no final daquele ano, Senna levou seu 3º campeonato mundial numa corrida antológica) e o São Paulo do Telê faturar o paulista e o brasileirão (deu tricolor nos dois!!!). A vida era boa, os dias eram bons. Pois nesse dia 18 de abril de 1991, tive a primeira grande perda de minha vida, a perda do Velho Jequitibá, que se foi de manhãzinha, durante o sono, deixando um rico legado aos filhos, netos e bisnetos. 

Eu e o Véio Jequitibá
(Piracicaba, maio de 1972)
Passados quase 23 anos, muitas das lembranças de meu avô haviam se apagado em minha memória, mas sua presença em meus pensamentos era mais do que justificada na madrugada do dia 06 de abril de 2014 enquanto eu, pacientemente, aguardava o voo da Avianca que sairia de Cumbica com destino à Recife (escala em Salvador), ponto de partida da minha viagem precursora pelo Projeto Rondon à cidade de Lagoa do Ouro/PE.

Meu avô, caboclo e pantaneiro, que chorava de saudades do pantanal quando chovia, era um hábil contador de histórias, ou melhor, das passagens de sua vida, da infância em Poconé (MT), dos anos vividos em Poxoréu (MT) e os três filhos que vieram (meu pai é o do meio, único homem), ao estabelecimento da família Teixeira Freire em Campo Grande (MS), época em que ele conviveu com o Marechal Cândido Rondon. Sempre que vinham à tona, em suas histórias, os primeiros anos vividos em Campo Grande, meu avô invariavelmente citava o nome do Marechal Rondon, que morava a cerca de 300 m distante de sua casa. Extremamente nacionalista, o Velho Jequitibá era daquele tipo que não conseguia ouvir o Hino Nacional sem se emocionar, para ele, ter convivido e ter tido algo que foi menos do que uma amizade, mas muito mais do que meros encontros casuais com o Marechal Cândido Rondon, era motivo de orgulho e fato a ser compartilhado com filhos e netos.

E foi assim, revivendo meu avô, que eu, às 06:05, entrei no avião que me levaria à Recife para a viagem precursora. Ao Velho Jequitibá,que em bom lugar está, dedico com carinho e muita saudade esse texto e os ótimos resultados da viagem. Valeu Velho!  

(...)Continua




3 de maio de 2014

Apresentação Equipe UFSCar

Ainda é preciso incluir mais uma, Michaela Perdizes, da Engenharia de Materiais 010

Antes de iniciarmos com postagens sobre a Operação, segue aqui uma imagem dos integrantes da equipe. 
Em breve seguiremos com as primeiras postagens sobre reuniões, oficinas, ideias e ações que a equipe já teve.