Fábio Bentes Freire
Poucas, ou melhor, pouquíssimas oficinas do Rondon têm a ver com minha formação profissional, em quase todas, tive que correr atrás de bibliografia para estudar e aprender, assim como toda a equipe o fez. O carácter multidisciplinar do Rondon abrange várias áreas do conhecimento, algumas bem distantes de tudo o que eu fiz em minha carreira. Aliás, esse tipo de projeto é uma novidade para mim, e tem sido um grande e prazeroso desafio.
Na oficina sobre Fossas Sépticas, uma das que destaco em importância para a cidade de Lagoa do Ouro, a sorte, ou melhor, uma conspiração dos astros a favor da oficina, levou dois sorridentes e motivados alunos, a Lê e o Vini, a trabalharem comigo, um chato mas empenhado coordenador, numa parceria com meu irmão, Flavio Bentes Freire, professor do curso de engenharia de produção civil na UTFPR em Curitiba, especialista em saneamento. O Flavio trabalhou na construção civil por pouco mais de um ano, se encheu, fez mestrado, doutorado e pós-doutorado em saneamento, e tornou-se um professor respeitado e querido dos alunos, o Prof. Flavião, patrono/paraninfo várias vezes por onde trabalhou.
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| Placa comemorativa - homenagem feita ao Flavio pelos formandos de 2013 |
Aproveitei uma reunião que terei com o grupo de pesquisa do Flavio na segunda-feira, dia 02 de junho, e adiantei em dois dias minha vinda para Curitiba. Cumpridos, com méritos, os 750 km que separam minha casa da do meu irmão, pela agradável paisagem entre São Carlos e Curitiba, cheguei as 14:00, num dia frio e chuvoso.
Lar doce lar do Flavio, Camila e Caião
Descarreguei meu carro, fiz uma farra com meu sobrinho de um ano e dez meses (Caião), peguei com meu irmão o fusquinha 74 que é pura diversão e rumamos para a UTFPR.
Fusca 74 - quarentão cheio de fôlego
O Flavio será o mentor intelectual da oficina sobre Fossas Sépticas, uma ajuda mais do que bem vinda de quem entende e sabe ensinar muito bem o assunto. Em sua sala na UTFPR campus Ecoville, excelente material, incluindo notas de aula, planilhas, livros,..., mas o que mais iremos contar é com a experiência dele.
Prof. Flavião dando uma mão no Rondon
Livros didáticos com projetos de fossas sépticas
A seguir, a abordagem proposta pelo Flavio para as fossas sépticas.
Flavio Bentes Freire

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS TANQUES SÉPTICOS
Introdução
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento (IBGE, 2008), pouco mais da metade dos municípios brasileiros (55,2%) tinham serviço de esgotamento sanitário por rede coletora. É importante ressaltar que a estatística de acesso à rede coletora de esgoto refere-se apenas à existência do serviço no município, sem considerar a extensão da rede, a qualidade do atendimento, o número de domicílios atendidos, ou se o esgoto, depois de recolhido, é tratado.
A ausência de rede coletora implica em formas “alternativas” de gerenciamento dos esgotos. Dentre as possibilidades, a utilização de tanques sépticos é a forma mais apropriada. A princípio os tanques sépticos deveriam ser utilizados em comunidades rurais, isoladas. Mas sabe-se que estas técnicas também são utilizadas em áreas urbanas. Também conhecidos popularmente como “Fossas sépticas”, os tanques sépticos foram concebidos em 1872, na França, por Jean Louis Mouras. O invento de Mouras consistia em um tanque hermético no qual os esgotos entravam e saíam através de tubulações submersas na massa líquida, ambas na parte superior. No Brasil, a aplicação pioneira parece ter sido um grande tanque construído em Campinas (SP) para o tratamento dos esgotos urbanos em 1892. Mas os tanques sépticos começaram a ser difundidos amplamente a partir da década de 1930.
No Brasil, a utilização dos tanques sépticos tem sido orientada pela ABNT. Atualmente está em vigência a norma NBR 7229:
Funcionamento
Consistem geralmente em uma câmara cuja função é permitir a sedimentação, o armazenamento e a digestão (anaeróbia) dos sólidos sedimentáveis. Na parte superior há formação de camada denominada “escuma”, formada por gases, sabões e gorduras. As câmaras podem ser cilíndricas ou prismáticas (estas últimas sendo mais comuns).
- Remoções usuais
- 40 a 60% de matéria orgânica (DBO)
- 60 a 70% de sólidos sedimentáveis
- 70 a 90% de óleos e graxas
Os tanques sépticos devem observar as seguintes distâncias horizontais mínimas:
- 1,50 m de construções, limites de terreno, sumidouros, valas de infiltração e ramal predial de água;
- 3,0 m de árvores e de qualquer ponto de rede pública de abastecimento de água;
- 15,0 m de poços freáticos e de corpos de água de qualquer natureza.
As distâncias mínimas são computadas a partir da face externa mais próxima aos elementos considerados.
O lodo e a escuma acumulados nos tanques devem ser removidos a intervalos equivalentes ao período de limpeza do projeto. Quando da remoção do lodo digerido, aproximadamente 10% de seu volume devem ser deixados no interior do tanque (“inóculo”). Não se recomenda a limpeza completa para facilitar a degradação da matéria orgânica depositada posteriormente. A remoção periódica de lodo e escuma deve ser feita por profissionais especializados que disponham de equipamentos adequados. É obrigatório o uso de botas e luvas de borracha. Em caso de remoção manual, é obrigatório o uso de máscara adequada de proteção.
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS DISPOSITIVOS QUE PODEM RECEBER O EFLUENTE DOS TANQUES SÉPTICOS
A fossa séptica apenas reduz a carga orgânica dos esgotos. Os sólidos não retidos são arrastados com o efluente, e os microrganismos ainda estão presentes em grande quantidade. Em função de suas características qualitativas, é necessário estabelecer uma técnica apropriada para receber esse efluente da fossa. A norma da ABNT (NBR 13969) enumera as possibilidades técnicas para receber o efluente da fossa:

Há inúmeras possibilidades, e diversos fatores são considerados para a escolha da técnica:
· Taxa de infiltração do solo (permeabilidade)
· Espaço
· Inclinação do terreno
· Distâncias das águas superficiais, subterrâneas e poços.
Sobretudo pela simplicidade de construção e dimensionamento, os sumidouros (também chamados de “poços absorventes”) configuram a técnica mais comum e preferida.
Voltando aos fatores que devem ser considerados para a escolha da técnica, destaca-se a Taxa de infiltração do solo como um dos mais importantes. Há vários métodos para estimativa desta taxa. Tendo como “filosofia” de partida que as fossas são muitas vezes construídas em regiões distantes e com poucos recursos, obviamente que os métodos de análise devem levar essa característica em consideração.
Pessoas com grande prática no assunto podem avaliar a Infiltração do solo a partir da textura e da cor do material. Por exemplo:

Uma alternativa bem simples é através de ensaios de infiltração “in loco”, descritos pela ABNT, destacando o de “cova prismática”. Descrição sucinta do ensaio:

Por que o ensaio de cova prismática é feito com o solo saturado? Simplesmente para simular a pior condição real, ou seja, a infiltração deve acontecer mesmo em dias chuvosos.
SUMIDOUROS
O sumidouro é a unidade usual de disposição final do efluente de tanque séptico.

São unidades cilíndricas ou prismáticas, feitos de alvenaria (pedras, tijolos), concreto, etc...o material deve ter aberturas para permitir a fácil infiltração do líquido no terreno (junta seca).


A cobertura deve ser de laje de concreto, com tampa para inspeção (0,60 cm). Devido a esta característica, seu uso é favorável somente nas áreas onde o aquífero é profundo, onde possa garantir a distância mínima de 1,50 m !!! (exceto areia) entre o seu fundo e o nível aquífero máximo. Maiores detalhes na NBR 13969.

Exemplo de dimensionamento
Dimensione um tanque séptico para uma residência com 5 pessoas, padrão sócio econômico baixo, e temperaturas do mês mais frio entre 10 e 20 graus.








Há inúmeras possibilidades, e diversos fatores são considerados para a escolha da técnica:
· Taxa de infiltração do solo (permeabilidade)
· Espaço
· Inclinação do terreno
· Distâncias das águas superficiais, subterrâneas e poços.
Sobretudo pela simplicidade de construção e dimensionamento, os sumidouros (também chamados de “poços absorventes”) configuram a técnica mais comum e preferida.
Voltando aos fatores que devem ser considerados para a escolha da técnica, destaca-se a Taxa de infiltração do solo como um dos mais importantes. Há vários métodos para estimativa desta taxa. Tendo como “filosofia” de partida que as fossas são muitas vezes construídas em regiões distantes e com poucos recursos, obviamente que os métodos de análise devem levar essa característica em consideração.
Pessoas com grande prática no assunto podem avaliar a Infiltração do solo a partir da textura e da cor do material. Por exemplo:

Uma alternativa bem simples é através de ensaios de infiltração “in loco”, descritos pela ABNT, destacando o de “cova prismática”. Descrição sucinta do ensaio:
- Escolher três pontos do terreno próximos ao local onde será lançado o efluente da fossa séptica
- No caso de sumidouro, realizar escavações em profundidades diferentes e no fundo de cada uma das três escavações abrir uma cova de seção quadrada de 30 cm de lado e 30 cm de profundidade
- Raspar o fundo e os lados da cova, de modo que fiquem ásperos
- Retirar da cova todo material solto e cobrir o seu fundo com uma camada de 5 cm de brita nº 1 (9,5 a 19 mm)
- No dia seguinte, encher as covas com água e aguardar que se infiltre totalmente
- Encher novamente as covas com água até a altura de 15 cm e cronometrar o período de rebaixamento de 15 cm até 14 cm
- Quando este intervalo de tempo para rebaixamento de 1 cm se der em menos de 3 min, refazer o ensaio cinco vezes, adotando o tempo da quinta medição
- Com os tempos determinados no processo de infiltração das covas, é possível obter os coeficientes de infiltração do solo (L/m² x dia) – vejam o gráfico a seguir
- Adota-se o menor dos coeficientes determinados no ensaio

Por que o ensaio de cova prismática é feito com o solo saturado? Simplesmente para simular a pior condição real, ou seja, a infiltração deve acontecer mesmo em dias chuvosos.
SUMIDOUROS
O sumidouro é a unidade usual de disposição final do efluente de tanque séptico.

São unidades cilíndricas ou prismáticas, feitos de alvenaria (pedras, tijolos), concreto, etc...o material deve ter aberturas para permitir a fácil infiltração do líquido no terreno (junta seca).


A cobertura deve ser de laje de concreto, com tampa para inspeção (0,60 cm). Devido a esta característica, seu uso é favorável somente nas áreas onde o aquífero é profundo, onde possa garantir a distância mínima de 1,50 m !!! (exceto areia) entre o seu fundo e o nível aquífero máximo. Maiores detalhes na NBR 13969.

Exemplo de dimensionamento
Dimensione um tanque séptico para uma residência com 5 pessoas, padrão sócio econômico baixo, e temperaturas do mês mais frio entre 10 e 20 graus.











































