31 de maio de 2014

Fossas Sépticas

Fábio Bentes Freire

Poucas, ou melhor, pouquíssimas oficinas do Rondon têm a ver com minha formação profissional, em quase todas, tive que correr atrás de bibliografia para estudar e aprender, assim como toda a equipe o fez. O carácter multidisciplinar do Rondon abrange várias áreas do conhecimento, algumas bem distantes de tudo o que eu fiz em minha carreira. Aliás, esse tipo de projeto é uma novidade para mim, e tem sido um grande e prazeroso desafio.
Na oficina sobre Fossas Sépticas, uma das que destaco em importância para a cidade de Lagoa do Ouro, a sorte, ou melhor, uma conspiração dos astros a favor da oficina, levou dois sorridentes e motivados alunos, a Lê e o Vini, a trabalharem comigo, um chato mas empenhado coordenador, numa parceria com meu irmão, Flavio Bentes Freire, professor do curso de engenharia de produção civil na UTFPR em Curitiba, especialista em saneamento. O Flavio trabalhou na construção civil por pouco mais de um ano, se encheu, fez mestrado, doutorado e pós-doutorado em saneamento, e tornou-se um professor respeitado e querido dos alunos, o Prof. Flavião, patrono/paraninfo várias vezes por onde trabalhou.      

Placa comemorativa - homenagem feita ao Flavio pelos formandos de 2013

Aproveitei uma reunião que terei com o grupo de pesquisa do Flavio na segunda-feira, dia 02 de junho, e adiantei em dois dias minha vinda para Curitiba. Cumpridos, com méritos, os 750 km que separam minha casa da do meu irmão, pela agradável paisagem entre São Carlos e Curitiba, cheguei as 14:00, num dia frio e chuvoso.
Lar doce lar do Flavio, Camila e Caião

Descarreguei meu carro, fiz uma farra com meu sobrinho de um ano e dez meses (Caião), peguei com meu irmão o fusquinha 74 que é pura diversão e rumamos para a UTFPR.   
Fusca 74 - quarentão cheio de fôlego
O Flavio será o mentor intelectual da oficina sobre Fossas Sépticas, uma ajuda mais do que bem vinda de quem entende e sabe ensinar muito bem o assunto. Em sua sala na UTFPR campus Ecoville, excelente material, incluindo notas de aula, planilhas, livros,..., mas o que mais iremos contar é com a experiência dele. 

Prof. Flavião dando uma mão no Rondon

Livros didáticos com projetos de fossas sépticas


A seguir, a abordagem proposta pelo Flavio para as fossas sépticas.
Flavio Bentes Freire




CONSIDERAÇÕES SOBRE OS TANQUES SÉPTICOS

Introdução

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento (IBGE, 2008), pouco mais da metade dos municípios brasileiros (55,2%) tinham serviço de esgotamento sanitário por rede coletora. É importante ressaltar que a estatística de acesso à rede coletora de esgoto refere-se apenas à existência do serviço no município, sem considerar a extensão da rede, a qualidade do atendimento, o número de domicílios atendidos, ou se o esgoto, depois de recolhido, é tratado.

A ausência de rede coletora implica em formas “alternativas” de gerenciamento dos esgotos. Dentre as possibilidades, a utilização de tanques sépticos é a forma mais apropriada. A princípio os tanques sépticos deveriam ser utilizados em comunidades rurais, isoladas. Mas sabe-se que estas técnicas também são utilizadas em áreas urbanas. Também conhecidos popularmente como “Fossas sépticas”, os tanques sépticos foram concebidos em 1872, na França, por Jean Louis Mouras. O invento de Mouras consistia em um tanque hermético no qual os esgotos entravam e saíam através de tubulações submersas na massa líquida, ambas na parte superior. No Brasil, a aplicação pioneira parece ter sido um grande tanque construído em Campinas (SP) para o tratamento dos esgotos urbanos em 1892. Mas os tanques sépticos começaram a ser difundidos amplamente a partir da década de 1930.

No Brasil, a utilização dos tanques sépticos tem sido orientada pela ABNT. Atualmente está em vigência a norma NBR 7229:







Funcionamento

Consistem geralmente em uma câmara cuja função é permitir a sedimentação, o armazenamento e a digestão (anaeróbia) dos sólidos sedimentáveis. Na parte superior há formação de camada denominada “escuma”, formada por gases, sabões e gorduras. As câmaras podem ser cilíndricas ou prismáticas (estas últimas sendo mais comuns).

- Remoções usuais
  • 40 a 60% de matéria orgânica (DBO)
  • 60 a 70% de sólidos sedimentáveis
  • 70 a 90% de óleos e graxas




Os tanques sépticos devem observar as seguintes distâncias horizontais mínimas:

- 1,50 m de construções, limites de terreno, sumidouros, valas de infiltração e ramal predial de água;
- 3,0 m de árvores e de qualquer ponto de rede pública de abastecimento de água;
- 15,0 m de poços freáticos e de corpos de água de qualquer natureza.

As distâncias mínimas são computadas a partir da face externa mais próxima aos elementos considerados.

Limpeza

O lodo e a escuma acumulados nos tanques devem ser removidos a intervalos equivalentes ao período de limpeza do projeto. Quando da remoção do lodo digerido, aproximadamente 10% de seu volume devem ser deixados no interior do tanque (“inóculo”). Não se recomenda a limpeza completa para facilitar a degradação da matéria orgânica depositada posteriormente. A remoção periódica de lodo e escuma deve ser feita por profissionais especializados que disponham de equipamentos adequados. É obrigatório o uso de botas e luvas de borracha. Em caso de remoção manual, é obrigatório o uso de máscara adequada de proteção.

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS DISPOSITIVOS QUE PODEM RECEBER O EFLUENTE DOS TANQUES SÉPTICOS
A fossa séptica apenas reduz a carga orgânica dos esgotos. Os sólidos não retidos são arrastados com o efluente, e os microrganismos ainda estão presentes em grande quantidade. Em função de suas características qualitativas, é necessário estabelecer uma técnica apropriada para receber esse efluente da fossa. A norma da ABNT (NBR 13969) enumera as possibilidades técnicas para receber o efluente da fossa:



Há inúmeras possibilidades, e diversos fatores são considerados para a escolha da técnica:

· Taxa de infiltração do solo (permeabilidade)
· Espaço
· Inclinação do terreno
· Distâncias das águas superficiais, subterrâneas e poços.

Sobretudo pela simplicidade de construção e dimensionamento, os sumidouros (também chamados de “poços absorventes”) configuram a técnica mais comum e preferida.

Voltando aos fatores que devem ser considerados para a escolha da técnica, destaca-se a Taxa de infiltração do solo como um dos mais importantes. Há vários métodos para estimativa desta taxa. Tendo como “filosofia” de partida que as fossas são muitas vezes construídas em regiões distantes e com poucos recursos, obviamente que os métodos de análise devem levar essa característica em consideração.

Pessoas com grande prática no assunto podem avaliar a Infiltração do solo a partir da textura e da cor do material. Por exemplo:


Uma alternativa bem simples é através de ensaios de infiltração “in loco”, descritos pela ABNT, destacando o de “cova prismática”. Descrição sucinta do ensaio:
  • Escolher três pontos do terreno próximos ao local onde será lançado o efluente da fossa séptica
  • No caso de sumidouro, realizar escavações em profundidades diferentes e no fundo de cada uma das três escavações abrir uma cova de seção quadrada de 30 cm de lado e 30 cm de profundidade
  • Raspar o fundo e os lados da cova, de modo que fiquem ásperos
  • Retirar da cova todo material solto e cobrir o seu fundo com uma camada de 5 cm de brita nº 1 (9,5 a 19 mm)
  • No dia seguinte, encher as covas com água e aguardar que se infiltre totalmente
  • Encher novamente as covas com água até a altura de 15 cm e cronometrar o período de rebaixamento de 15 cm até 14 cm
  • Quando este intervalo de tempo para rebaixamento de 1 cm se der em menos de 3 min, refazer o ensaio cinco vezes, adotando o tempo da quinta medição
  • Com os tempos determinados no processo de infiltração das covas, é possível obter os coeficientes de infiltração do solo (L/m² x dia) – vejam o gráfico a seguir
  • Adota-se o menor dos coeficientes determinados no ensaio


Por que o ensaio de cova prismática é feito com o solo saturado? Simplesmente para simular a pior condição real, ou seja, a infiltração deve acontecer mesmo em dias chuvosos.

SUMIDOUROS

O sumidouro é a unidade usual de disposição final do efluente de tanque séptico.


São unidades cilíndricas ou prismáticas, feitos de alvenaria (pedras, tijolos), concreto, etc...o material deve ter aberturas para permitir a fácil infiltração do líquido no terreno (junta seca).





A cobertura deve ser de laje de concreto, com tampa para inspeção (0,60 cm). Devido a esta característica, seu uso é favorável somente nas áreas onde o aquífero é profundo, onde possa garantir a distância mínima de 1,50 m !!! (exceto areia) entre o seu fundo e o nível aquífero máximo. Maiores detalhes na NBR 13969.




Exemplo de dimensionamento

Dimensione um tanque séptico para uma residência com 5 pessoas, padrão sócio econômico baixo, e temperaturas do mês mais frio entre 10 e 20 graus.













27 de maio de 2014

Sobre o Velho Jequitibá

Fábio Bentes Freire

Uma das primeiras postagens desse blog foi um texto sobre as lembranças de meu avô paterno na minha ida para a viagem precursora do Projeto Rondon. Como explico no texto, meu avô conheceu o Marechal Rondon em Campo Grande (MS),  entre as décadas de 40 e 50. Meu pai, José Teixeira Freire, nessa época era menino, mas se recorda da fisionomia do Marechal, moreno e magro, e que moravam perto dele. A rua onde o Marechal Rondon morou naquela época, hoje recebe seu nome. Enfim, no dia 05 de maio recebi um email da assessoria de imprensa do Ministério da Defesa pedindo minha permissão para publicar o texto que, no dia seguinte, após minha autorização, já estava no site do Rondon:   




Jequitibá à beira da BR-101 próximo à Linhares (ES)
Depois desse dia, recebi emails de pessoas curiosas sobre o porquê do apelido do meu avô, o Velho Jequitibá. Segundo meu pai, meu avô tinha o hábito de responder perguntas do tipo "Como o Senhor está?", dizendo "Forte como um Jequitibá". O Jequitibá é uma árvore imponente, de tronco e galhos grandes, que se destaca numa paisagem. O porte avantajado dá ao Jequitibá um aspecto de força e robustez, mais do que justificados pelos belos exemplares com bem mais de cem anos encontrados em nosso país. Esse da foto eu cheguei a ver várias vezes, quando fui professor da UFES e viajava pelo Espírito Santo. Mas voltando ao meu avô, todos que tiveram o privilégio, ou melhor, a benção de conviver com ele, sabem que esse apelido é também uma marca do homem cabra macho que ele foi, duro na queda em todos os momentos de sua vida. Da geração dos meus primos, da minha e do meu irmão em diante, ele virou o Velho Jequitibá. O vô Joaquim! 

Uso de material descartado

Apesar da diminuição no número de postagens, os preparativos para nossa participação no Rondon continuam acontecendo, toda semana rola pelo menos uma reunião para discutir as oficinas e atualizar sobre que foi feito e o que resta fazer. Nas duas últimas semanas, ambos os professores da equipe estiveram envolvidos em atividades fora da UFSCar, o Fábio na UFAL em Maceió e a Gabriela na UNESP de Araraquara, mas os alunos mantiveram o ritmo de trabalho pelo Rondon. 

Uma das atividades que mais teve destaque nesse período foi a pesquisa bibliográfica via internet, com descobertas muito legais não só para as oficinas do Rondon, como também, para divulgação em geral. Quase todas as oficinas foram contempladas com bons textos de embasamento. As de divulgação de programas do governo e empreendedorismo ganharam material da SEBRAE, em parte conseguido pelo Lucas e em parte fornecido pelo Danilo, aluno de mestrado o PPG-EQ/UFSCar e funcionário da SEBRAE de São Carlos. Outra que contou com a descoberta de vasta gama de informações disponíveis na internet foi a de artesanato com material reciclado.

Porta moedas de caixa de leite / Mesa central de caixotes / Horta com tubos de PVC
Hack de paletes / Paletes descartados

Essas são algumas das opções que teremos para mostrar nas oficinas sobre material reciclado. Várias outras estão sendo discutidas pelo grupo. Toda e qualquer sugestão para as oficinas divulgadas nesse blog é mais do que bem vinda!

21 de maio de 2014

Equipe UNIVALI, Itajaí, SC

 Edneia (última, lá no fundão) e as meninas de Itajaí
No projeto Rondon, duas equipes atuam em uma mesma cidade, dividindo ações nas áreas de Cultura, Direitos Humanos e Justiça, Educação e Saúde (conjunto A) ou nas áreas de comunicação, Tecnologia e Produção, Meio Ambiente e Trabalho (conjunto B). A equipe UFSCar participará do conjunto B de ações e o conjunto A ficará a cargo da equipe da UNIVALI de Itajaí (SC). Durante a precursora realizada no início de abril (ver texto publicado nos dias 04 e 06/05, nesse blog), os dois coordenadores (Edneia/Itajaí e Fábio/São Carlos) se encontraram em Pernambuco e desse encontro surgiu a união das duas equipes, formando uma só, a equipe Rondon, que em breve estará de colete amarelo, em Lagoa do Ouro, trabalhando em prol da comunidade. 

11 de maio de 2014

Rondon 1975 - Participação do Sr Osmar Junqueira, sogro do meu irmão

11/05 - Rondon 1975 - Piauí

Por Fábio Bentes Freire

No Natal de 2013, em Curitiba, numa conversa com o sogro do meu irmão, o Sr Osmar Junqueira, engenheiro civil formado pela Poli, contei que iria participar do Rondon em 2014. Daí ele me disse que havia participado do Projeto Rondon em 1975, quando era estudante de graduação na USP. De lá para cá, o formato do Rondon mudou bastante, mas a marca que ele deixa em quem participa, pelo jeito continua a mesma. Vejam só o que o Sr Osmar me respondeu, quando pedi a ele para escrever um pouco sobre o que lembrava da experiência. Daqui a 39 anos eu estarei com 81 (vivo e bem, espero!), tomara que ainda lembre do nosso Rondon como se fosse outro dia!    
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"Prezado Fábio,

Já se vão 39 anos quando eu participei do projeto Rondon. Fui para o Piauí com uma turma de mais ou menos trinta pessoas entre todas as modalidades (estudantes de medicina, agronomia, agrimensura, assistência social, veterinária, educação, odontologia, e outras que agora não me recordo). Saímos de São Paulo de ônibus  e gastamos 56 horas para chegar a Teresina, pois o ônibus quebrou duas vezes, uma em Juazeiro/Petrolina na divisa de Pernambuco com a Bahia. Na volta a viagem durou umas 50 horas. A viagem para estudante é sempre uma diversão, mas aprendíamos com as observações de cada um (sobre sua ótica) sobre a realidade que vivíamos. Essa época ainda era o fim da ditadura, e o comando do Rondon no Estado do Piauí ficava com um senhor do exército, que era responsável por nós no estado. Ficamos 25 dias, e no final tínhamos que apresentar um relatório dos serviços prestados, e deixar no estado com o senhor responsável pelo Rondon. Quando eu cheguei eu estava destinado a ficar em Teresina na capital, mas o senhor disse que lá não teria serviço, e que eu iria para Piri - Piri acompanhar construção de casas.Porém nesse momento a gerente de engenharia do DNOCS (Depto Nacional de Obras contra a Secas) perguntou se eu sabia dimensionar rede de irrigação ( eu estava no 5º ano) e estagiava na área de hidráulica. Falei que sim e ela solicitou que eu ficasse no seu departamento, pois tinha uma rede de irrigação para ser dimensionada. E assim eu fiquei em Teresina junto com os Engos. e dimensionei a rede solicitada pelo método de espinha de peixe e pelo método do anel. Para o dimensionamento desta rede, tive que estudar um pouco de agronomia, ou seja a quantidade de água por dia que cada tipo de planta que eles pretendiam plantar consumia, e descontar a evaporação. Eles tinham um estudo bem completo sobre esse assunto, baseado em estudos israelenses. Mas o pessoal que mais trabalhava mesmo era o pessoal da área de saúde, e no fim de semana como a gente não trabalhava a gente passeava pela cidade, e as vezes fora dela, sem que o responsável soubesse. O responsável também nos levava sempre para um clube de campo na cidade vizinha de Teresina no Maranhão, onde íamos almoçar carne de caça, que naquele tempo não era proibido. Em Teresina nós ficamos hospedados na casa de hóspedes do DNOCS, que tinha cozinheira e quartos com ar condicionado, mas nós do Rondon, eu e outro colega que ficamos em Teresina preferimos ficar na edícula da casa, onde tínhamos mais liberdade e lá dormíamos em rede.

Quanto a fotos, naquele tempo não tinha as facilidades de agora, e não tenho nenhuma.  

Abraços

Osmar"
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Dia das Mães

11/05 - DIA DAS MÃES

"Os braços de uma mãe são feitos de ternura e os filhos dormem profundamente neles."
(Victor Hugo)

Dona Luzia e o Fábio no Rio em 1975 (esq) / Celina D'ávila (esq) e Rosângela Neves Marim (dir)

E hoje é dia das mães, elas, que de certa forma, estão com a gente nessa "aventura". Feliz Dia das Mães, em especial à Vera (Rodrigo), Celina (Paulinha), Carmelita (Michaela), Beatriz Helena (João), Celi (Letícia), Rosângela (Vinícius), Valéria (Marcela), Sandra Regina (Lucas), Cristina (Gabriela) e Luzia Carmen (Fábio).

Gostaríamos de agradecê-las por serem pessoas que nos orientam a tomar a maioria das escolhas e que se sacrificam ao máximo para que nós possamos ser bem sucedidos nelas. O trabalho de uma mãe é, com certeza, o mais árduo e integral possível: ela nos orienta até mesmo estando longe e cuidou de nós com uma dedicação impecável desde que nascemos. Portanto, nada mais justo que nós compartilhemos nossa gratidão e imenso carinho que reservamos por elas. Que cada mãe seja um motivo de inspiração e crescimento para cada um de nós.

Feliz dias das Mães! =)

Post dedicado às nossas mães, nossa lembrança e nosso carinho nesse dia!!    

10 de maio de 2014

Oficina com Agricultores - Agregando valor em produtos e utilizando sangue de matadouro e cacto palma para fazer adubo

10/05 - Rio Claro (SP) - Ensaios de Compostagem de Resíduos Orgânicos

Equipe da Oficina

O sábado, dia 10/05, véspera do Dia das Mães, começou cedo para a equipe que irá atuar na compostagem em Lagoa do Ouro (PE), tanto de resíduos de abatedouro quanto de resíduos domésticos. Marcamos um encontro às 06:30 na casa dos pais do Fábio (Cidade Jardim), ponto estratégico entre as repúblicas do João, do Zé e do Rodrigo (ex-Cogeb e ex-Vovó Lúcia, agora, Kartódromo). Zé chegou primeiro, anunciando em altos decibéis, do portão, que já estava na área. Rodrigo ficou com a medalha de prata e a Michaela e o João, com a de bronze, mas todos chegaram bem no horário combinado.

Vista interna do terreno
O Fábio já estava lá, conferindo o cafézinho da mãe dele (Dona Luzia). As 6:45 já poderíamos estar na Washington saindo de São Carlos, não fosse o Fábio ter esquecido a carteira na casa dos pais. Pouco antes da alça de acesso à estrada, demos meia volta, pegamos a carteira dele e rumamos finalmente para Rio Claro, chegando por lá, 2 pedágios depois e quase 20 reais mais pobres, às 07:35. Encontramos o Prof. Dermeval  (Derma para os alunos, Dema para os colegas de 2o andar do DEQ) no Posto Xurunga, e de lá fomos ao terreno murado e com portão que ele conseguiu para nossas oficinas de compostagem. Fica o registro de nossa gratidão pelo Derma, não só pelo terreno, mas por toda a assistência. Durante a semana, juntamos a matéria prima para fazer os ensaios. O Fábio conseguiu, em duas 6as-f consecutivas, pegar restos de cortes de carne no açougue Carrara (Vila Nery) e o Rodrigo juntou ótimo material da Feirinha do Kartódromo (bagaço de laranja e de cana) e do cerrado lá da área norte da Federal (folhas secas).

Na verdade, a montagem das leiras foi bem mais rápida do que prevíamos a priori. Com as ferramentas que o Derma conseguiu, tínhamos todas as opções para abrir as leiras, postar as diferentes camadas de matéria orgânica e depois, cobrir tudo com terra e palha. Uma vez cavadas as leiras, foram seguidas as etapas mostradas em sequência nas fotos:



... aguando a leira
No total, foram feitas 6 leiras de profundidades diferentes, medidas com caneta bic (= unidade de profundidade) por sugestão (aceita prontamente por todos) do João. Dessa forma, foram feitas leiras com profundidades de uma caneta bic, uma caneta bic e meia, duas canetas bic,..., e assim por diante.

Duas leiras de "carne vermelha", uma de frango, uma de bagaço de cana e duas de "laranja". Michaela mapeou a posição de todas as leiras, portanto sabemos que tipo de adubo será produzido em cada uma delas.

Daí pra frente, o acompanhamento das leiras será feito pela Gabriela, que viu e registrou quase toda a "oficina", uma vez por semana.


Antes de voltarmos, fizemos um tour da saudade por Rio Claro, terra natal do Fábio, encarando o engarrafamento da grande metrópole em pleno horário de pico, passando pelo Mercado Municipal (maioria das lojas fechadas) e indo até a casa onde o Fábio morou quando nasceu. Bateu uma emoção, mas ele não chorou!

Casa onde o Fábio viveu em Rio Claro (e como era - foto de 1971)


7 de maio de 2014

1º registro com o famoso coletinho amarelo do Rondon

06/05 - REUNIÃO GERAL - PTO EM PAUTA: PLANILHA DE CUSTOS

Sala de reuniões do DEQ/UFSCar, 13:00. Discussão da planilha com os custos previstos para compra de material a ser utilizado nas oficinas. Iniciativa da Gabriela, fazer isso o quanto antes. Apoiada. Como sempre, após a reunião, ficou lição de casa para todos, sem exceção.


Mas o ponto alto da reunião foi esse registro, nosso primeiro com o famoso coletinho amarelo do Rondon. Rodrigo tinha prova, precisava sair antes do término da reunião. "Péra ae!", em coro, "não sai ainda não, vamos tirar uma foto antes". Taí!! Bela foto, apesar da correria do semestre, todos sorridentes e afim de trabalhar pelo Rondon. FEDERAL SE RENDE AO AMARELO!


6 de maio de 2014

Diário da Precursora (parte III)


Parte III

Por Fábio Bentes Freire


09/04 – FEIRA EM LAGOA DO OURO

Dia de feira em Lagoa do Ouro, feira grande, ocupando praticamente todo o centro da cidade com barracas vendendo desde carnes, castanhas de caju, frutas, até roupas e eletrônicos.



A visita à feira levou boa parte de nossa manhã e foi fundamental para que eu definisse o cronograma de todas as oficinas que dependem de resíduos para acontecer. Vamos fazer uma coleta, em julho, no primeiro dia de feira durante nossa permanência em Lagoa do Ouro. Antes disso, teremos um bate-papo com o público sobre resíduos e reciclagem. Como eu disse antes, tudo se encaixando o melhor possível dentro da realidade que iremos encontrar e do público que queremos atingir.Nesse dia, troquei vários torpedos com a Paulinha, buscando envolver nossa equipe na definição das oficinas. 

Mas o grande acontecimento do dia foi a chuva, que caiu forte na hora do almoço. A tão esperada e comentada chuva veio e era aclamada por pessoas na rua, ouvi, do meu quarto, várias pessoas agradecendo a Deus pela chuva que caía abundante, mas ainda insuficiente para contornar os estragos da longa seca. Dava para ver pessoas andando na rua, como se a chuva não molhasse. Passada a chuva, pouco depois das 14:30, fomos visitar Campo Alegre, cerca de 20 minutos de Lagoa do Ouro, e a escola da comunidade. Gostamos de tudo, da escola, das pessoas e, principalmente, do envolvimento de todos com o projeto. Ganhei, de uma Senhora, um saco de biscoitos salgados típicos de lá, junto com um belo sorriso e um “vá com Deus meu filho”. Por onde passamos fomos muito bem recebidos. A noite, já de volta à pousada, Edneia e eu batemos o martelo e fechamos nossos cronogramas, com todas as atividades, horários, tempos de duração, público,... Exausto, jantei, li um pouco e dormi antes das 9:00.


10/04 – ÚLTIMO DIA DA PRECURSORA EM LAGOA DO OURO

Choveu a noite toda. Depois do café da manhã, fomos até a prefeitura entregar nossos cronogramas para divulgação das atividades. Ouvimos de Várias pessoas, brincando com a gente, “vocês do Rondon trouxeram a chuva, Deus abençoe vocês!”. No prédio da prefeitura o estrago tinha sido grande, havia muitas goteiras em cima de mesas, micros, documentos, mas as funcionárias já estavam regulamentando tudo e controlando a situação. No centro da cidade, a caminho da prefeitura, havíamos visto lojas com mercadorias molhadas e casas de particulares com portas abertas e gente varrendo sujeira para fora. Definitivamente, os telhados não estavam preparados para a chuva que caiu. Deixamos os cronogramas com a Suely, missão cumprida. Todos os objetivos da precursora haviam sido alcançados. Tudo acertado para nossa participação em julho. No começo da tarde, Edneia e eu fizemos uma romaria pela prefeitura e outros lugares que passamos para nos despedir das pessoas. Acertamos ainda detalhes de uma ou outra oficina. Feito isso, Edneia voltou para a pousada e eu decidi sair sozinho para uma caminhada, queria tirar fotos de alguns lugares por onde havíamos passado somente de carro. Ter ido sozinho acabou sendo uma ótima. Segui um caminho que passava em frente à Escola Jandira Pedroso, em direção ao final da cidade, de onde era possível avistar um monte rochoso muito bonito. Atravessei uma cerca de arame farpado (ah se eu tivesse uma bola de cristal naquele momento!) e caminhei uns 800 m até uma árvore meio isolada no meio da paisagem. Dizem que o mais importante de uma fotografia é o “olhar” de quem está por trás da câmera, depois vem a técnica. Pois tive um insight, quando vi a árvore, de que subindo nela eu faria uma foto interessante. Sem jeito nenhum, subindo de galho em galho, cada vez mais alto, fui buscando o ângulo que eu queria, totalmente despreocupado com a “escalada” em si. A mais ou menos uns 3 m de altura (ainda pretendia subir mais alto), resolvi fazer uma selfie para que me vissem, mais tarde, em cima da árvore. Bom, vamos lá. Tirei o smartphone do bolso, preparei a câmera dele, apontei para mim e sorri. Tudo aconteceu tão rápido que não sei nem o que escrevo aqui, o fato é que o galho que eu segurava para me apoiar quebrou (acho que me inclinei demais para o lado dele) e eu despenquei de lá de cima, meio de frente, meio de lado, e dei com a cara no chão. Ninguém viu. Foi um baita susto, de um segundo para o outro, me vi no chão, sem óculos (ainda bem, ele teria cortado meu supercílio e, no passado, já levei 7 pontos nessa região) nem smartphone. Levantei sem dores, mas achando que havia quebrado um dente. Alarme falso, ainda bem, era só terra na minha boca. Achei meus óculos e o smartphone, sem a parte de trás e sem a bateria. Precisei procurar por pouco tempo para achar a capinha de trás, mas levei uns 20 minutos para encontrar a bateria. Nessa busca, lembro-me de ter olhado para a árvore com um certo rancor, como se ela tivesse sido a culpada pela minha queda. Recomposto, meio dolorido e fulo da vida, sem mais vontade de tirar foto alguma, voltei caminhando para a pousada da Jaque. No caminho, dois rapazes que lavavam um carro olharam para mim e disseram “tem sangue no seu nariz”. Limpei o nariz com a mangueira de água que eles usavam, mais para apagar as evidências do tombo do que outra coisa. Em julho eu volto lá e tiro a foto. 

11/04 – RETORNO À RECIFE

Despedidas em Lagoa do Ouro, começando pela pousada onde fomos acolhidos como família. Tomamos um café da manhã especial, às 06:30, preparado para nosso “até breve”. Comi um monte. Às 08:00 já estávamos na prefeitura recebendo calorosas saudações dos funcionários. Todos haviam feito um ótimo trabalho, com muito calor humano, fechamos com chave de ouro nossa viagem precursora a Lagoa do Ouro. Saldo mais do que positivo da precursora, com uma cidade completamente receptiva e favorável ao Rondon, dois coordenadores que se deram muito bem e querem muito fazer pela operação. Deixamos a cidade às 08:20, de novo conduzidos pelo Sr Luciano, fazendo o percurso de volta à Recife e pegando os outros colegas coordenadores pelo caminho.Na van, confraternizamos e trocamos nossas experiências, felizmente, todas boas. Chegamos à Escola de Aprendizes pouco depois das 15:00, almoçamos imediatamente (a van já nos deixou direto no restaurante) e depois, cada um seguiu um rumo, em grupos ou não. Eu fui sozinho para o alojamento, dormi até umas 16:40 e em seguida dei uma corridinha em volta de um campo de futebol. Barbudo e com uma camiseta da São Silvestre de 2011, chamei um pouco a atenção dos alunos que por ali se exercitavam. À noite, fizemos uma rápida reunião com os comandantes da operação que queriam ouvir nossas impressões. Uns reclamaram, outros elogiaram as prefeituras, mas foi unânime o sentimento de dever cumprido. Mais tarde, no jantar, combinamos uma saída para curtir a noite em Olinda. A sugestão de quem conhecia bem a cidade foi a Fábrica Bar, na Praça Fortim. Fomos em 5 táxis e nos divertimos muito. Saí de lá em um táxi, com um colega da UFES, às 03:00, como há tempos não fazia.

12/04 – RETORNO DA PRECURSORA

Boa parte dos coordenadores deixou a Escola de Aprendizes às 04:30, em um ônibus da marinha. Um caminhão baú, que ia logo atrás do ônibus, levou nossas bagagens até o Aeroporto Guararapes. Despedi-me rapidamente de todos na chegada ao aeroporto e fui direto para a área de embarque de onde sairia meu vôo, às 07:55. Voltei sentado na janela, ao lado da Nadia (USP de Ribeirão) e do Moacyr (USP de São Carlos), conversando da decolagem em Recife ao pouso em São Paulo, com escala em Salvador. Fomos cumprimentados pelas aeromoças que perguntaram bastante sobre o projeto Rondon. Em São Paulo, na saída do aeroporto, um motorista com plaqueta de identificação escrita “UFSCar” me aguardava. Dessa vez, o pouco que conversei com o motorista foi durante o trajeto do desembarque até o carro, um Etios sedan prata. Alojei-me no banco da frente, apertei os cintos e apaguei, só acordando, com uma mãozinha do motorista, no trevo de São Carlos.  


Diário da Precursora (parte II)

Parte II

Por Fábio Bentes Freire


06/04 – SAÍDA DE SÃO CARLOS

À 00:30 do dia 06/04/2014, um Toyota Corolla prata, à serviço da universidade, foi me buscar em meu prédio para me levar até o Aeroporto Internacional de Cumbica onde eu, às 06:30, embarcaria num voo da Avianca para Recife. No carro, de imediato iniciei um bate-papo com o Sr. Paulo, o motorista, esquecendo que se tratava de um profissional e que não precisava de ninguém para mantê-lo acordado. Minha vontade era dormir. O fato é que a conversa não chegou nem ao pedágio do Castello, acho que caí no sono depois do primeiro zigue-zague na estrada e só acordei com a iluminação do aeroporto na minha cara, às 03:00. No aeroporto, logo após passar pelo embarque, abri o caderno de notas e escrevi “3:32 - estou um bagaço”.
A espera foi longa, só embarquei às 06:05, e entre um cochilo e outro, eu rascunhava as linhas que agora compõem esse texto. Enfim, o voo partiu de São Paulo sem atrasos e, após a escala em Salvador, cheguei à Recife às 10:35. Sonado que só, não notei que bem ao meu lado no avião viajou um senhor com a camiseta do Rondon. Mais tarde vim saber que esse senhor é uma lenda no Rondon, com participações em diversas edições desde a década de 70. Seu nome, Carlos Roberto , professor da UNESP de Araraquara.

Fui o 1º passageiro do voo (que na realidade era para Petrolina, com escalas em Salvador e Recife) a sair no desembarque (raramente despacho bagagens, meu histórico com bagagens extraviadas é péssimo) e de cara avistei militares da marinha em impecáveis uniformes brancos e um senhor entre eles, vestindo uma camisa do Rondon. Era o Cmte Anderson, responsável pela Operação Guararapes e com quem havia trocado e-mails. Me aproximei do grupo, me apresentei e recebi um forte aperto de mão de um militar bem alto e com voz forte de barítono. Em altos decibéis o Cmte Guimarães me congratulou “você começou bem, só trouxe o essencial”. Na verdade, mais tarde me dei conta de que viajei com um item a menos do que o essencial para pernoitar na Marinha: meia usada virou a toalha que eu havia esquecido de pôr na mala no meu primeiro banho por lá.

Sorridente por fora, mas me sentindo sonado e faminto, acompanhei o grupo de militares e mais 15 coordenadores de equipes, que vieram no meu vôo, até um ônibus da Marinha que nos esperava na área externa do desembarque do Aeroporto Guararapes. Logo fui conhecendo ou reconhecendo os “marinheiros de primeira viagem” como eu, uns cinco dentro do ônibus. Isso me relaxou, eu não era o único.

Prédio principal da Escoa de Aprendizes da Marinha
Mas o que mais me chamou a atenção no caminho do aeroporto até a Escola de Aprendizes da Marinha, em Olinda, foi ter escutado uma ou duas vezes alguém dizer “TUSCA”, dentro do ônibus. Havia outro “sãocarlense” no ônibus, o Moacyr, professor do ICMC da USP de São Carlos. Pouco antes das 12:30 o ônibus passou pela entrada da Escola de Aprendizes da Marinha, em direção ao alojamento dos aprendizes. Na escola, ficou claro que o Rondon havia começado para mim e um bom começo seria interagir com os demais coordenadores, mas a fome era tanta que nem voz eu tinha. Sou um glutão, apesar de não ser gordo. Saí do ônibus atropelando os passos, entrei com minha mochila (minha única bagagem) no alojamento e, num amplo cômodo branco com ares de Nosso Lar, encontrei um mar de treliches e ventiladores.

Um dos cantos do alojamento com os treliches
Como alguns coordenadores haviam chegado à véspera, a única opção restante era me alojar na “cobertura” dos treliches que, por sinal, não tinham nem aquela escadinha estreita que eu tanto xinguei nas vezes que me hospedei no Ibis Budget. Acho que fiquei olhando com cara de desolação para o topo do treliche por alguns minutos até que alguém (não lembro quem) chegou perto de mim e disse: “tire o colchão do topo e coloque no chão, é mais seguro para quem não está acostumado a dormir em beliches”. Ótima ideia, larguei o colchão no chão, botei a mochila em cima dele e me juntei a outros que se dirigiam ao restaurante dos oficiais.

No restaurante, quando comecei a derrubar o 3º prato, já me sentia civilizado de novo e passei a conversar, mais empolgado, com os colegas coordenadores e militares da operação que se encontravam à mesa. Nesse ambiente de confraternização, havia muita solidariedade entre os coordenadores, os mais experientes passando orientações para os menos experientes que, como eu, prestavam atenção. É verdade que, nesse ponto, minhas conversas ainda estavam meio protocolares, tenho hábitos diurnos e a noite mal dormida havia me drenado a disposição, mas, apesar do cansaço, eu estava bem à vontade com aquelas pessoas. Terminada a última garfada, fui para o alojamento e me esparramei no colchão. Dormi antes mesmo de pensar em qualquer outra coisa.

Navio escola – Escola de Aprendizes da Marinha
(Olinda/PE)
Palestra com o Cmte Anderson, coordenador da Operação Guararapes às 16:30. Minhas anotações dessa palestra vão desde orientações diretas para a viagem precursora às cidades, até lembretes de coisas que eu teria que levar na operação propriamente dita,em julho, como, por exemplo, “saco de dormir” e “canivete suíço”. Achei graça quando o Cmte nos disse que precisávamos ter um grito de guerra para a cerimônia de abertura das operações em julho. Em um determinado momento, o Cmte pediu para que nos identificássemos em voz alta quando ele dissesse o nome da cidade onde iríamos atuar. Quando ouvi “Lagoa do Ouro”, falei “Fábio, Universidade Federal de São Carlos” e em seguida ouvi o comentário “A UFSCar está sempre no Rondon”. Muito do que foi falado eu já sabia, pois na semana anterior à viagem, havia conversado com o Prof. Sérgio do Departamento de Ciência da Informação da UFSCar, quatro vezes no Rondon. Em um encontro com nossa equipe (Gabriela, professora do DEQ, e os alunos Letícia, Paula, Rodrigo e Vinícius da EQ, Michaela do DEMa, Marcela da Gestão Ambiental e Lucas e João da EP), o Sérgio assistiu a uma apresentação dos alunos e me deu várias orientações sobre o que era importante e como proceder na precursora. Ao término da palestra do Cmte Anderson, conheci o “anjo” (militar) que irá nos acompanhar em julho, o Munis, peguei meu colete amarelinho do Rondon (tamanho GG!) e conversei, por alto, com a Edneia, professora da Univali (Itajaí, SC) que também irá para Lagoa do Ouro com sua equipe (uma professora e oito alunas), dentro do conjunto A de ações. 

Antes do jantar, dei uma volta pela Escola de Aprendizes juntamente com outros coordenadores e tirei algumas fotos, como a do navio escola. Jantar servido às 19:30, comi só dois pratos, voltei para o alojamento e lá pelas 09:00, dormi. 


07/04 – VIAGEM PARA LAGOA DO OURO

Coordenadores, Cmtes e o dedo da Edneia na partida para as cidades
Logo após o café da manhã no restaurante dos oficiais, juntamos nossas bagagens em frente ao alojamento (masculino – térreo e feminino – 1º andar) e começamos a entrar nas vans, sete no total, que partiam para as cidades. Como Lagoa do Ouro era uma das cidades mais distantes da sede (Recife), parti na 1ª van que deixou a escola, às 07:00 em ponto. Conduzidos pelas mãos seguras do Sr Luciano, éramos, no total, 8 coordenadores nessa van, com destino a quatro cidades do Agreste: Canhotinho, Palmeirina, Correntes e Lagoa do Ouro, última parada. Sentei-me no banco da frente da van, entre o Sr Luciano e Syndinara, professora de Inconfidentes (MG).

Levamos mais de uma hora e vinte só para sair da grande Recife, em pleno horário de pico. Eu já conhecia Recife de viagens anteriores, mas não havia passeado por aquelas bandas. Passamos bem próximos à Arena, que irá sediar jogos da copa. Após sair da região metropolitana, seguimos por uma pista dupla, passando por cidades como Pombos, Bezerros e Caruaru, numa paisagem cada vez mais com cara de agreste. Gosto muito de viajar e a paisagem que eu via no trajeto até Lagoa do Ouro era, para mim, uma novidade. Só conhecia parte do litoral do nordeste.  

Caminho de ida para Lagoa do Ouro
A viagem foi muito agradável, o clima entre nós era muito bom, seguimos o tempo todo em segurança, sem sustos. Fizemos uma parada para ir ao banheiro e a segunda já foi na cidade de Canhotinho, onde dois coordenadores desceram. Sem GPS, mas com a boa vontade e simpatia do povo que nos explicava o caminho, fomos encontrando as direções até as cidades e prefeituras,onde íamos descendo. Em Palmeirina ficaram mais dois, depois mais dois em Correntes e, finalmente, em Lagoa do Ouro, após14 km de estrada de terra, chegamos eu e Edneia, na porta da prefeitura. Era 13:00.
Recebidos na prefeitura pela Gilma, fomos levados ao encontro de Suely, nosso contato em Lagoa do Ouro. Após uma rápida conversa, ficou decidido que só teríamos nossa primeira reunião com funcionários da prefeitura no dia seguinte. Queríamos ter as conversas iniciais logo de imediato, mas a decisão de deixa-las para o dia seguinte mostrou-se adiante mais do que acertada. Com nossas bagagens, caminhamos pelo centro de Lagoa do Ouro até a pousada da Jaqueline, onde nos hospedamos nos cinco dias que passamos por lá. No caminho, de cara tomei a decisão de tirar uma das oficinas propostas por nossa equipe: o centro da cidade era bem bonito e cuidado, não precisava de revitalização. 

Paróquia de Lagoa do Ouro
Deixamos nossas coisas na pousada e saímos para uma caminhada pela cidade usando o famoso coletinho amarelo do Rondon. Era como um magneto, atraindo a atenção das pessoas para os dois estranhos que caminhavam pelas ruas conversando e tirando fotos.Passamos pelo hospital da cidade, entramos e tiramos algumas dúvidas sobre oficinas da Edneia. À noite, jantamos na pousada e conhecemos melhor a Jaqueline que, nos dias seguintes, preparou as refeições sempre nos consultando sobre o que queríamos comer. A grata surpresa da noite foi Alexya, filhinha da Jaqueline, uma linda e simpática menina de um ano e meio que nos cativou com sua esperteza e simpatia. “Espero revê-las”, anotei no caderno.


08/04 – PRIMEIRO DIA EM LAGOA DO OURO

Logo após o café da manhã, seguimos até a prefeitura para nossa reunião agendada com as secretarias de saúde, educação e cultura. Assim que entramos no prédio da prefeitura fomos avisados: “já estão comentando vocês”.

Eu e Edneia com os coletes e funcionários 
da prefeitura
Nosso passeio pelas ruas da cidade no dia anterior já era comentado e o comentário chegou à prefeitura. Lagoa do Ouro já havia sido agraciada com um Rondon na década de 70 ou 80 (não consegui descobrir) e os antigos lembravam disso com bastante entusiasmo e carinho. Quem nos contou esse fato foi o Sr José, funcionário da prefeitura há mais de quarenta anos, que aparece na foto. A reunião comandada por Suely (ao lado da Edneia na foto) foi uma das mais produtivas que já participei em meus quase dez anos de magistério. Falante e bem articulada, ela encaminhou as discussões sobre hospedagens, logística, transporte, oficinas... e em pouco mais de uma hora, havíamos feito praticamente toda a lição de casa prevista para a viagem precursora. Conhecida e respeitada, Suely me pareceu aquele tipo de pessoa que faz acontecer, sem ficar filosofando muito. Quando mostrei nosso plano de trabalho, recebi um único comentário: “está tudo bom, menos essa oficina sobre aterros sanitários, nosso lixo é transportado para fora daqui. Seria mais interessante que vocês incluíssem algo sobre uso de agrotóxicos”. E assim, com meia dúzia de palavras trocadas, estava praticamente definido nosso plano de trabalho. Nem foi necessário falar muito durante a reunião. Eu, pelo menos, fiquei mais tempo quieto e ouvindo.

Da reunião, ficou decidido que iríamos fazer as oficinas em quatro escolas. Na Escola Jandira Pedroso, em Lagoa do Ouro, e em outras três (não me lembro o nome), nos distritos de Iguapós, Mocós e Campo Alegre, todos da zona rural. Faltava conhecer pessoalmente esses lugares e em especial o Centro de Idosos, onde nos foi sugerida a hospedagem durante o Rondon. Terminada a reunião, com direito a pipoca e cafezinho, rumamos para o Centro de Idosos. Ao chegarmos lá, essa opção de hospedagem foi imediatamente aceita, o lugar era amplo, tinha cara de casa (e não de alojamento) e possuía toda a infraestrutura necessária para receber os quatro docentes, dezesseis alunos e um“anjo”.

Centro de Idosos
Como já era horário de almoço, comemos a merenda no próprio centro, preparada pela mesma merendeira que deve nos auxiliar em julho. No cardápio: salada de tomate com pepino, salada de batata com cenoura, frango frito, macarrão com sardinha, purê de batata, arroz, feijão e farofa. Enchi um prato tamanho família, comi tudo e ainda repeti. Ao me ver comendo com gosto, alguém comentou: “para onde vai isso tudo que você come?” (como já mencionei, não sou gordo). A resposta ficou na ponta da língua, mas resolvi não fazer brincadeira alguma, simplesmente disse “meu metabolismo é bom”, e segui nas garfadas. Comida aprovada. Vamos adiante.



Cozinha do Centro de Idosos
De volta à pousada, Edneia e eu fizemos uma reunião de mais ou menos duas horas onde comparamos nossos cronogramas, adaptamos ações conjuntas e, com base na experiência da Edneia (3º Rondon) e nas conversas com a prefeitura, definimos boa parte de nossas atividades. Pouco mudou depois disso. O cronograma estava diante da gente, como um mosaico onde oficinas e horários foram cuidadosamente pensados em função do público alvo pretendido para cada uma delas.



Em torno das 14:00 fomos levados em um carro da prefeitura para Iguapós e Mocós, passando por uma paisagem como eu imaginava ser o agreste. 


Imagens da visita à zona rural
Visitamos as escolas da zona rural onde faremos oficinas durante três manhãs consecutivas em julho, conhecemos muita gente e tivemos a certeza de que muitas outras iremos conhecer após a ampla divulgação do Rondon que já está sendo feita na cidade. A estimativa é que mais ou menos quinhentas pessoas por dia participem das oficinas realizadas na zona rural. A equipe UFSCar tem duas oficinas nesses dias: Uma conversa sobre o uso de agrotóxicos(Gabriela, Marcela e Paulinha) e Oficina com Agricultores - Agregando valor em produtos e utilizando sangue de matadouro e cacto palma para fazer adubo(eu, João, Michaela e Rodrigo). Os demais membros, nesses e em outros dias, estarão nos dando suporte e fazendo recreação com as crianças (presença certa e em grande número no Rondon).

Sala de informática
De volta à Lagoa do Ouro, fomos direto conhecer a Escola Jandira Pedroso onde iremos fazer boa parte das nossas oficinas. Fiquei bastante feliz com a escola, as instalações, a localização e em especial, a sala de informática (teremos duas oficinas nela, sob a coordenação da Gabriela) e o cine Igataua, sala de projeções da escola onde possivelmente ocorrerá o Cine Rondon (pode ser que em alguns dias ele seja feito ao ar livre, em ambiente aberto, talvez na praça central).  
Cine Igataua

Já quase no final da tarde, para nossa completa surpresa, encontramos o Guimarães e o Pereira (da Escola de Aprendizes da Marinha), estavam nos fazendo uma visitinha e se certificando que tudo corria bem em nossa precursora. De volta à pousada, nos reunimos mais uma vez, Edneia e eu, discutimos mais nossos cronogramas, jantamos e nos recolhemos para nossos respectivos quartos.