4 de maio de 2014

Diário da Precursora (Parte I)

Nada mais condizente com nossas etapas de preparação rumo à Lagoa do Ouro do que começar postando sobre como o Fábio teve seu primeiro contato com a cidade, em abril de 2014. Esperamos que relatos pessoais como esses possam inspirar pessoas a querer conhecer brasis belíssimos que existem por aí.

Parte I

Por Fábio Bentes Freire


Curioso como fatos do presente às vezes evocam memórias de um passado ao mesmo tempo distante e recente. O dia 18 de abril de 1991 caiu numa quinta-feira e eu tive prova, não me lembro do quê. Eu tinha 19 anos e trilhava o ciclo básico do curso de engenharia civil (mais tarde me transferi para a elétrica, onde me graduei) na tradicional Escola de Engenharia da USP de São Carlos. Na época, minhas maiores preocupações, além dos estudos, eram com a saúde do meu avô paterno, Joaquim Silva Freire, o Velho Jequitibá, bastante fragilizada por um câncer, as chances da McLaren do Senna derrotar a Willians do Mansell (no GP do Japão no final daquele ano, Senna levou seu 3º campeonato mundial numa corrida antológica) e o São Paulo do Telê faturar o paulista e o brasileirão (deu tricolor nos dois!!!). A vida era boa, os dias eram bons. Pois nesse dia 18 de abril de 1991, tive a primeira grande perda de minha vida, a perda do Velho Jequitibá, que se foi de manhãzinha, durante o sono, deixando um rico legado aos filhos, netos e bisnetos. 

Eu e o Véio Jequitibá
(Piracicaba, maio de 1972)
Passados quase 23 anos, muitas das lembranças de meu avô haviam se apagado em minha memória, mas sua presença em meus pensamentos era mais do que justificada na madrugada do dia 06 de abril de 2014 enquanto eu, pacientemente, aguardava o voo da Avianca que sairia de Cumbica com destino à Recife (escala em Salvador), ponto de partida da minha viagem precursora pelo Projeto Rondon à cidade de Lagoa do Ouro/PE.

Meu avô, caboclo e pantaneiro, que chorava de saudades do pantanal quando chovia, era um hábil contador de histórias, ou melhor, das passagens de sua vida, da infância em Poconé (MT), dos anos vividos em Poxoréu (MT) e os três filhos que vieram (meu pai é o do meio, único homem), ao estabelecimento da família Teixeira Freire em Campo Grande (MS), época em que ele conviveu com o Marechal Cândido Rondon. Sempre que vinham à tona, em suas histórias, os primeiros anos vividos em Campo Grande, meu avô invariavelmente citava o nome do Marechal Rondon, que morava a cerca de 300 m distante de sua casa. Extremamente nacionalista, o Velho Jequitibá era daquele tipo que não conseguia ouvir o Hino Nacional sem se emocionar, para ele, ter convivido e ter tido algo que foi menos do que uma amizade, mas muito mais do que meros encontros casuais com o Marechal Cândido Rondon, era motivo de orgulho e fato a ser compartilhado com filhos e netos.

E foi assim, revivendo meu avô, que eu, às 06:05, entrei no avião que me levaria à Recife para a viagem precursora. Ao Velho Jequitibá,que em bom lugar está, dedico com carinho e muita saudade esse texto e os ótimos resultados da viagem. Valeu Velho!  

(...)Continua




4 comentários:

Unknown disse...

Fábio, estou acompanhando essa aventura. Muito emocionante o relato sobre o Vô Joaquim. Ele mais que merece essa homenagem. Que essa jornada seja bem sucedida do começo ao fim! Bjs, Flavio

Unknown disse...

Valeu Flavito, isso tudo é a cara do Vô Joaquim. Em breve iremos postar sobre as oficinas, o treinamento delas e os preparativos em geral. Sugestões são bem vindas! Beijão! Fábio

Unknown disse...

Pessoal vocês estão fazendo algo muito importante, não só de "paper" vive um acadêmico, vamos devolver a população um pouco do que investiram em nós. Oro e torço por vocês. Fábio com certeza o velho Joaquim está muito feliz com você. Só não me candidatei para ir com vocês porque hoje tenho limitações para viagens desse tipo.
abraço Prof. Freire

Unknown disse...

Querido, em nome da equipe agradeço as palavras de carinho e incentivo. Bj, Fábio